terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Depoimento de um verdadeiro Papai Noel (e não desses que aparecem nos comerciais da Coca-Cola)

Veja abaixo depoimento verídico de um autêntico Papai Noel, cedido pelo senhor Vidigal da Silva, carioca de Bom Sucesso:



Como eu entrei nessa furada? O.K., eu vou explicar.

Eu não queria, tá ligado? Eu não queria criar barriga nem deixar a barba crescer, mas a gente vai comendo um torresmo aqui, um angu com lingüiça ali, um feijão com macarrão acolá... com bastante cerveja em cima e taus... aí quando a gente vai ver, já tá com a cara do Papai Noéu. Ou melhor, já tá com a barriga dele, porque pra ficar com a cara mermo tem que deixar a barba crescer. Foi aí que virei esse troço aí de Papai Noéu, tá ligado?

Na verdade, foi quando eu tava dando uma volta ness tau de chópim, tá ligado? Um cara chegou em mim, todo educado, falando umas coisas que eu não entendia... aí eu quase dei uma bifa na cara dele! Pô, eu não entendia nada do que ele tava dizendo! Mas depois minha senhora que tava comigo me falou do que se tratava e eu entendi tudo!

O cara era o gerente do tal do chópim e queria me contratar pra Papai Noéu. Aí eu disse "Que mané Noéu o quê? Tá me chamando de véio, pô? Qual'é a tua, véio?"

Mas depois ele falou em dinheiro e tudo mudou de figura. Não ia ser de graça. Aí eu topei.

Foi assim que eu virei o bom velhinho, mas antes, é claro, eu fiquei com muita raiva. Imagina só um cara te parando no chópim pra te chamar de véio e elogiar tua pança?

Só me incomoda a barba no verão e a roupa grossa, faz um calor e o ar condicionado do chópim tá mais pra brisa que pra vento, tá ligado? Suo pra mais de metro, tô quase emagrecendo de tanto suar, pô! Assim não vou mais poder ser o bom velhinho, já viu Papai Noéu magro? Só se for o Papai Noéu da Somalha, pô! Lá todo mundo é magro. Também, um país com um nome desse! Se lá todo mundo só malha, tinha que ser todo mundo magro mermo, pô!

E descobri uma coisa: dizem que no Natal o Papai Noéu esvazia o saco de tanto dar presente. Mas que esvazia o que, mané? Esvazia nada, pô! Na verdade, enche. Enche o saco ficar lá com aquela roupa, com a barba coçando, aquelas crianças sentando no teu colo e pedindo umas coisa estranha, lépi tópi, emipê-três, emipê-quatro, pleistêichon e sei lá o quê! Essa criançada de hoje só fala inglês, pô! Papai Noéu por acaso nasceu nos Esteites? Essa crinaçada de hoje só fala em inglês com o bom velhinho! Sei lá o que eles tão me pedindo! Só sei que eu tenho que dizer que eles vão ganhar tudo isso aí que eu nem sei o que é.

Mas se é pra ganhar dindim, eu falo, é claro!

E o gerente do chópim me disse que ia me pagar um Roiau por cada criança que sentasse no meu colo. Aí, como não sou bobo nem nada, o que eu faço? Vejo aquela fila de criança e mando vim de duas em duas, cada uma senta num joelho e me fala num ovido, pô! Tenho dois joelho, não tenho?

Tenho duas orêia, não é mermo?

Então! Enquanto os outros Papai Noéu ganha um Roiau, eu ganho dois! Pô, eu sou profissa! Papai Noéu profissa!

Profissa, tá ovindo? (*)


____________________________
(*) Ovir vem de ovo, e ovo vem... bem, todo mundo sabe de que buraco vem o ovo.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

J. K. Rowling, Pedro Bandeira, Liliane Prata, Deus (eis alguns autores que aparecem aqui hoje).

Pois é. Tava na hora.

Como 100% dos leitores deste blog são adolescentes (99% são e o 1% restante se sente assim) e como 99% dos leitores deste blog são meninas (o 1% restante é e se sente homem mesmo, deixemos isso bem claro), resolvi criar as nove enquetes ao lado. Sei que as pessoas que entram aqui gostam de ler (se não gostam, vou descobrir agora!) e por isso imaginei as perguntas aí na coluna à direita. A maioria dos livros são infanto-juvenis (em liguagem de gente: livros adolescentes) e alguns são livros de velhos que lêem enquanto fumam cachimbo (sem preconceito, é claro; eu poderia dizer que os livros adolescentes são para jovens que lêem enquanto mascam chiclete, e daí? Nhac, nhac, nhac... esse é de tutti frutti, tá a fim?).

Bem... seja o que Deus quiser.

Amém!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Arte de Furtar Galinhas, Mendigos Pelados e os Desabrigados de SC

No ritmo em que estamos, daqui a pouco vão estar roubando até mendigo pelado nas ruas. Como? Ora! Se eles conseguem roubar até os desabrigados de Santa Catarina, que perderam tudo e agora não têm nada, então eles também conseguem roubar mendigo pelado...

Mas vamos lá; entremos de uma vez no mérito da questão.

Quem viu os telejornais ontem, sabe do que estou falando. O País inteiro está enviando doações aos desabrigados de Santa Catarina, mas parece que outras pessoas estão mesmo é enfiando a mão nos donativos. Acontece. Enviar e enfiar são dois verbos parecidos; é natural que as pessoas se confundam...

Mas o que fazer? Deixaremos de doar ou as autoridades tomarão alguma atitude? Nem uma coisa nem outra, simplesmente porque estamos no Brasil: O povo continuará doando porque é caridoso, e outras pessoas continuarão enfiando a mão nas doações porque, como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão e, no final das contas, ninguém será realmente punido.

As autoridades até se apressaram em dizer que o fato é caso isolado. Eu só gostaria de saber como é que eles sabem disso. Por acaso eles têm bola de cristal? Colocaram câmeras vigiando a seleção dos donativos? Pode haver outros casos e, se eles existem, agora a ordem será provavelmente abafar esses casos, de modo que não cheguem à mídia e o povo não saiba.

O que desagrada às autoridades em casos como esses não é o roubo em si, mas o fato de a notícia ter sido veiculada pelos jornais do País. Acontecem horrores na administração pública de pequenas e grandes cidades, e se faz muita vista grossa para tudo, mas, quando um escândalo vem à tona, há sempre alguém que surge diante das câmeras para dizer que é caso isolado. Ora, parece até que esse sujeito já estava de prontidão, só esperando pelo momento de saltar diante das câmeras de TV e dizer é caso isolado! é caso isolado!

Tenhamos um mínimo de inteligência. Se até um segundo atrás o sujeito não sabia de nada, como é que no segundo seguinte ele tem tanta certeza de que é caso isolado?


Moral da História?

Essa gente não sabe nem mentir.


Mas peraí. Eu já cheguei à Moral da História? Perdoem-me. Fui mais apressado do que deveria. Ainda tenho mais umas coisinhas a dizer. Quem não tiver muita paciência, pode mudar de canal, isto é, pode mudar de blog, que no próximo post eu repito o que vocês não leram abaixo e vocês não vão nem perceber...

Brincadeira.

Eu só queria dizer que, em relação às fortes chuvas que assolaram Santa Catarina, não poderíamos ter feito nada (estou falando de conter a chuva e, não, de ter feito esta ou aquela obra, entendam bem), mas, no que dependeu só da ajuda das pessoas, ficamos devendo feio. Roubamos até os necessitados. Nesse ritmo, como eu disse, vamos acabar roubando até mendigo pelado.

Mas entenda bem: pelado é o mendigo e, não, nós.

Enfim, em vez de acreditarmos ingenuamente que foi caso isolado, podemos pelo menos acreditar que a maioria está lá para ajudar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Azeite, Vinhos, Panetones, Papais Noéis Embriagados e Bacalhau

Como o título acima já resume, é Natal.

Ou quase. Mas...

Ainda é cedo? Talvez. Pode ser.

De qualquer modo, um homem deve fazer o que um homem deve fazer. E às vezes é melhor a gente se antecipar. Sempre me lembro do que Dom João disse ao filho: "Põe essa coroa na tua cabeça antes que algum aventureiro o faça." E o resto já sabemos: Dom Pedro I proclamou a independência e assumiu o trono, para a infelicidade dos aventureiros de plantão.

Sendo assim, também quero me antecipar, de modo que outro blogueiro não saia na frente. O Natal está chegando e, antes que comecem a aparecer aquelas mensagens de fim de ano nos blogs do mundo inteiro, escreverei a minha, que, se não for a mais original, ao menos terá sido a primeira do ano.

Pensei em começar a mensagem com algo assim:

"Brasileiros e brasileiras..." mas me lembrei do Sarney e desisti. Depois tentei escrever "Companheiros e companheiras..." mas me lembrei que hoje em dia nem o Lula fala mais assim e também desisti. Em seguida, eu quis dizer "Olha a cocada..." porque sempre chama a atenção, mas aqui não há cocada nem marmelada, e sssim fiquei com a idéia de escrever a mensagem de Natal, mas sem idéia nenhuma do que dizer.

Enfim, pensei naqueles velhos chavões, como "Feliz Natal e Próspero Ano Novo!" mas, desejando evitar os clichês, continuei pensando em algo mais original. Até os chineses lá do outro lado do mundo usam essas frases feitas, fabricando aqueles enfeites natalinos de 1,99 com os dizeres "Merry Christmas," e nós, que não somos americanos nem chineses, compramos esses enfeites como parte que somos deste mundo globalizado.

Desse modo, não conheço mensagem de Natal mais universal do que o velho e bom "Merry Christmas," que pouca gente sabe o que significa, mas que todo mundo já viu pelo menos uma vez na vida. Para muita gente, essa expressão "Merry Christmas" é como chinês, principalmente para aqueles que nasceram no tempo em que se ensinava Francês nas escolas, o que não significa que os chineses lá do outro lado do mundo entendam o que tal expressão queira dizer.

E, para ir mais longe um pouco na questão, já notou que hoje em dia nem mesmos os americanos usam com muita freqüência o adjetivo "merry"? Talvez até mesmo eles, os yankees, só estejam acostumados com esse adjetivo na expressão "Merry Xmas," assim como nós, que só a vemos uma vez por ano e olhe lá.

Portanto, amigos e amigas de blog e internet, eu lhes desejo "Merry Xmas, Coca-cola e muito... rock n' roll?"

É, pode ser. Os yanques já nos venceram culturalmente mesmo, fazer o quê?

Mas, quanto à mensagem, ficou bom; dá pro gasto.

Dá pro gasto e ainda sobra pra comprar aquele enfeite de 1,99 feito na China.

Desde já, feliz Natal a todos! Incluindo os yankees, é claro!